| Estima-se que a população mundial passará
da marca dos 8 bilhões em 2025 -- o que significa um crescimento de 2,5 bilhões em
relação ao nível atual. Boa parte do crescimento, embora não todo, ocorrerá nos
países em desenvolvimento, e haverá um número muito maior de bocas para alimentar em
circunstâncias complexas 1. Cerca de 24.000 pessoas morrem diariamente devido à fome,
ou a causas relacionadas com a fome. Três quartos das mortes dão-se em crianças com
menos de cinco anos.
2. Atualmente, 10% das crianças dos países em desenvolvimento morrem antes dos cinco
anos. Há cinqüenta anos, esta percentagem era de 28%.
3. A escassez de alimentos e as guerras são responsáveis por apenas 10% das mortes
devido à fome embora sejam estas, normalmente, as causas apontadas mais freqüentemente.
A maior parte das mortes por fome são provocadas pela desnutrição crónica. As
famílias simplesmente não conseguem obter comida suficiente. Por sua vez, isto é uma
conseqüência da extrema pobreza.
4. Além da morte, a desnutrição crónica também provoca a diminuição da visão, a
apatia, a atrofia do crescimento e aumenta consideravelmente a susceptibilidade às
doenças. As pessoas que sofrem de desnutrição grave ficam incapacitadas de funções
até mesmo a um nível mais básico.
5. Segundo as estimativas, cerca de 800 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de
fome e subnutrição, cerca de 100 vezes mais do que as que morrem anualmente em
consequência.
6. Muitas vezes, são necessários apenas alguns recursos simples para que os povos
empobrecidos tenham capacidade de produzir alimentos bastantes para se tornarem
auto-suficientes. Estes recursos incluem sementes de boa qualidade, ferramentas adequadas
e o acesso a água. Pequenas melhorias nas técnicas de cultivo e nos métodos de
armazenamento de alimentos também são úteis.
7. Muitos peritos nas questões da fome acreditam que, fundamentalmente, a melhor
maneira de reduzir a fome é através da educação. As pessoas instruídas têm uma maior
capacidade para sair deste ciclo de pobreza que provoca a fome.
Fontes (por parágrafo):
1) O Projecto da Fome, Nações Unidas;
2) CARE;
3) Instituto para a Política da Fome e do Desenvolvimento;
4) Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM);
5) Organização Alimentar e Agrícola das Nações Unidas (FAO);
6) Oxfam;
7) Fundo Internacional de Auxílio à Criança das Nações Unidas (UNICEF)
No mundo:
Cerca de 100 milhões de pessoas estão sem teto;
1 bilhão de analfabetos;
1,1 bilhão de pessoas vivem na pobreza, destas, 630 milhões são extremamente pobres,
com renda per capta anual bem menor que 275 dólares;
1,5 bilhão de pessoas sem água potável;
1 bilhão de pessoas passando fome;
150 milhões de crianças subnutridas com menos de 5 anos (uma para cada três no mundo);
12,9 milhões de crianças morrem a cada ano antes dos seus 5 anos de vida;
No Brasil, os 10% mais ricos detêm quase toda a renda nacional.
Causas naturais
Clima;
Seca;
Inundações;
Terremotos;
As pragas de insetos e as enfermidades das plantas.
Causas humanas
Instabilidade política;
Ineficácia e má administração dos recursos naturais;
A guerra;
Os conflitos civis;
O difícil acesso aos meios de produção pelos trabalhadores rurais, pelos sem-terras ou
pela população em geral;
As invasões;
Deficiente planificação agrícola;
A injusta e antidemocrática estrutura fundiária, marcada pela concentração da
propriedade das terras nas mãos de poucos;
O contraste na concentração da renda e da terra num mundo subdesenvolvido;
A destruição deliberada das colheitas;
A influência das transnacionais de alimentos na produção agrícola e nos hábitos
alimentares das populações de Terceiro Mundo;
A utilização da "diplomacia dos alimentos" como arma nas relações entre os
países;
A relação entre a dívida externa do Terceiro Mundo e a deteriorização cada vez mais
elevada do seu nível alimentar;
A relação entre cultura e alimentação.
Causas da fome crônica e
desnutrição
Pobreza;
Distribuição ineficiente dos alimentos;
Reforma agrária precária;
Crescimento desproporcional da população em relação à capacidade de
sustentação.
Fome infantil
Cerca de 5 a 20 milhões de pessoas falecem por ano por causa da fome e muitas delas são
crianças.
Conseqüências da fome
As conseqüências imediatas da fome são a perda de peso nos adultos e o aparecimento de
problemas no desenvolvimento das crianças. A desnutrição, principalmente devido a falta
de alimentos energéticos e proteínas, aumentam nas populações afetadas e faz crescer a
taxa de mortalidade, em parte, pela fome e, também, pela perda da capacidade de combater
as infecções.
Classe dominante
Alterar essa situação significa alterar a vida da sociedade, o que pode não ser
desejável, pois iria contrariar os interesses e os privilégios em que se assentam os
grupos dominantes. É mais cômodo e mais seguro responsabilizar o crescimento
populacional, a preguiça do pobre ou ainda as adversidades do meio natural como causas da
miséria e da fome no Terceiro Mundo.
O Brasil e a fome
O Brasil é o quinto país do mundo em extensão territorial, ocupando metade da área do
continente sul-americano. Há cerca de 20 anos, aumentaram o fornecimento de energia
elétrica e o número de estradas pavimentadas, além de um enorme crescimento industrial.
Nada disso, entretanto, serviu para combater a pobreza, a má nutrição e as doenças
endêmicas.
Em 1987, no Brasil, quase 40% da população (50 milhões de pessoas) vivia em extrema
pobreza. Nos dias de hoje, um terço da população é mal nutrido, 9% das crianças
morrem antes de completar um ano de vida e 37% do total são trabalhadores rurais sem
terras.
Há ainda o problema crescente da concentração da produção agrícola, onde grande
parte fica nas mãos de poucas pessoas, vendo seu patrimônio aumentar sensivelmente e
ganhando grande poder político.
A produção para o mercado externo, visando à entrada de divisas e ao pagamento da
dívida externa, vem crescendo, enquanto a diversidade da produção de alimentos dirigida
ao mercado interno tem diminuído, ficando numa posição secundária. Ao lado disso,
milhões de pessoas vivem em favelas, na periferia das grandes cidades, como São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, entre outras.
O caso das migrações internas é um problema gerado dentro da própria nação. Grande
parte dos favelados deixou terras de sua propriedade ou locais onde plantavam sua
produção agrícola. Nos grandes centros, essas pessoas vão exercer funções mal pagas,
muitas vezes em trabalho não regular. Quase toda a família trabalha, inclusive as
crianças, freqüentemente durante o dia inteiro, e alimenta-se mal, raramente ingerindo o
suficiente para repor as energias gastas. Nesse círculo vicioso, cada vez mais famílias
se aglomeram nas cidades passando fome por não conseguir meios para suprir sua
subsistência.
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